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31 de dez de 2009

A VIDA SEM MANUAL

Primeiro Encontro em Duas Versões:


A Versão Dele

Pô sai com a Leninha ontem. Não que tivesse muito afim, mas sabe como é, sexta-feira à noite e nada para fazer. Abri minha agenda e fui tentando, com ela colou. E aí e que nem o ditado: melhor uma na cama, do que acabar na mão. Ainda mais em uma se(x)sta-feira.
Marquei de passar lá por volta das nove da noite, mas ai o povo do escritório inventou de beber e é claro que não podia deixar de ir. Acabei me atrasando, mas descolei uma desculpa de trabalho e a gata ficou até com pena de mim. Eu sou o máximo, não é? A Globo não sabe o artista que 'tá desperdiçando...
Ela até que tava gostosinha com uma blusinha de renda que dava para ver o sutiã, mas preferia que ela estivesse com um vestidinho preto que de vez em quando usa, um que dá para ver bem os melões... Coisa de louco. Para fazer média, deixei que escolhesse o restaurante, e é óbvio que tinha que escolher o mais caro...
Ficamos lá, no maior chove e não molha, a mulher não parava de falar um segundo. Eu até que tentava participar da conversa, mas o máximo que conseguir era dar um sorriso meio sem-graça e fingir que estava ouvindo aquele tagarelar todo! Cheguei a ficar com o maxilar doendo!
E na hora da conta? Pô, maior sacanagem da mina! Esperou eu pedir a conta para o garçone e se mandou para o banheiro. Ficou aquele pinguim engomado, lá do meu lado, com cara de: "não vai pagar não é?" Acabei tendo que pagar tudo e a mulher nem para perguntar quanto foi quando voltou, ou pelo menos disfarçar e colocar um troco na minha mão. Mô prejuízo!
Além de tudo isso, inventou de irmos dançar. Maior mico! A mulher parece que tá tomando eletrochoque na pista de dança. Todo mundo olhando para a gente e ela nada. Tava se sentindo uma Madonna. Nunca mais vou poder pisar naquele lugar...
Aí final da noite, fui levar a madame em casa. Na porta do apartamento dela começou rolar uns amassos maneiros. Pelo menos isso, né! Pô, tive o maior preju, paguei um king-kong e não ia comer?! Claro que comi, oras! E cá entre nós, ela bem que gostou, pediu até telefone no final. Eu dei é claro, mas disse que estava indo para São Paulo e só voltava na semana que vem.
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A Versão Dela

Ontem sai com o Anselmo. Ai, que foi tudo de bom. Antes dele chegar foi a maior correria. Tive que passar no salão e dar uma ajeitada nas unhas e no cabelo que estavam horríveis. E na hora de me vestir, foi traumático, eu não tinha roupa para ir. Olha que já tinha programado ir com o vestido preto, mas na hora que botei, vi que ele estava horroroso! Quase perdi a hora tentando ver uma roupa, ou não cabia mais em mim, ou estava fora de moda, ou era ousado demais e não queria parecer muito dada... Um sufoco, acabei optando por uma saia jeans comprida e uma blusa branca de rendas.
Mas, apesar disso tudo, estava pronta antes das nove, hora que ele iria passar para me buscar. Deu 9:05h e nada dele, com certeza era o transito. 9:10 e nada, nem um telefonema para avisar que ia chegar atrasado, eu já achando que tinha levado um bolo. Meia hora depois e nada dele, o discurso pronto para quando ele chegasse (ou ligasse), iria esculhambar geral, mas quando o interfone tocou e ele disse que tinha ficado preso no escritório, fiquei com uma pena, tadinho, não era culpa dele.
Fomos jantar em um lugarzinho ótimo, ele deixou que eu escolhesse, como mea culpa pelo atraso e ainda elogiou minha roupa, ou melhor, não falou nada, mas lançou uns olhares que diziam tudo. E ele é tão divertido e tão atencioso, não é daqueles que não sabem ouvir uma mulher, ficou ouvindo tudo e quando eu parava, ele abria um sorriso lindo, incentivando que falasse mais.
Além de tudo isso, ainda pagou a minha conta! Eu ia dividir, sabe que sou dessas mulheres modernas, que não têm problema nenhum em dividir despesa. Mas, sabe que me deu uma vontade danada de ir ao banheiro? Poxa, tinha bebido muito, não dava para segurar. E quando voltei, ele já tinha pago e cavaleiro que só ele, nem comentou nada!
Depois fomos dançar. Caramba, dançamos muito! Ele é um dançarino nato e eu, sem falsa modéstia, danço muito bem. Eramos o casal sensação da pista, todo mundo olhando, quase babando de inveja. Achei o máximo!
A noite terminou por volta das três da manhã, quando chegamos na frente do meu apê. Ai, não resisti, rolou uns amassos muiiiito boooommmm.... Até pensei em falar para ele subir, e bem que nós dois queríamos isso, mas quer saber, na hora pensei nas meninas falando e achei que o melhor seria deixar para o próximo encontro.
Achei que iria ficar chateado, mas reagiu numa boa, me deu seu cartão e pediu que eu ligasse! Tudo de bom, não é mesmo? Pena que ele foi para São Paulo e só volte semana que vem...

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"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."
Clarice Lispector

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