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27 de dez de 2012

Casa Arrumada


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

"A VIDA é uma pedra de amolar; desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos."
(George Bernard Shaw) 1856-1950
Carlos Drumond de Andrade

24 de dez de 2012

O Significado do Verdadeiro Natal


O Verdadeiro Natal
PRESIDENTE HOWARD W. HUNTER (1907–1995)
Décimo Quarto Presidente da Igreja
O verdadeiro Natal acontece para aquele que adota Cristo em sua vida como força motivadora, dinâmica e vivificante.

O VERDADEIRO NATAL

O Natal é uma época movimentada. As ruas e as lojas estão cheias de pessoas fazendo preparativos de última hora. Aumentam os viajantes nas auto-estradas, os aeroportos ficam apinhados — toda a cristandade parece criar vida, com música, luzes e decorações festivas.
Um escritor disse:
“De todos os feriados, não existe nenhum outro que penetre tão plenamente no coração humano e evoque tantos sentimentos nobres. As idéias, lembranças, esperanças e práticas costumeiras relacionadas a esse dia fazem parte, como um todo, das tradições antigas e dos costumes deste país; tanto para os velhos quanto para as crianças, abrangendo os aspectos religiosos, sociais e patrióticos de nossa natureza. O azevinho e o visgo entrelaçados com a sempre-verde, o costume de dar presentes aos entes queridos, a presença da árvore de Natal, a crença no Papai Noel, tudo combina para tornar o Natal o mais esperado, o mais universal e, de todos os pontos de vista, o mais importante feriado conhecido pelo homem.” [Clarence Baird, “The Spirit of Christmas”, Improvement Era,dezembro de 1919, p. 154]

A ORIGEM DO NATAL

Essa época está repleta de tradições, e suas origens remontam à história antiga. O início dessa festividade encontra-se na adoração pagã, muito antes da introdução do cristianismo. O deus Mitra era adorado pelos antigos arianos, e essa adoração gradualmente se espalhou pela Índia e Pérsia. Mitra a princípio era o deus da luz celeste dos céus brilhantes, e mais tarde, no período romano, foi adorado como a deidade do sol, ou o deus do sol: Sol Invictus Mithra.
No primeiro século [antes] de Cristo, Pompeu fez conquistas ao longo da costa sul da Cilícia, na Ásia Menor, e muitos dos prisioneiros feitos nessas ações militares foram levados cativos para Roma. Isso deu início à adoração pagã de Mitra em Roma, porque esses prisioneiros espalharam a religião entre os soldados romanos. A adoração tornou-se popular, particularmente entre as fileiras do exército romano. Encontramos hoje, nas ruínas das cidades do extenso império romano, os santuários de Mitra. O mitraísmo floresceu no mundo romano e se tornou o mais importante concorrente do cristianismo entre as crenças religiosas do povo.
Uma época festiva para os adoradores do sol acontecia imediatamente após o solstício de inverno, o dia mais curto do ano — a época em que o sol se detém após sua descida anual para o hemisfério sul. O começo de sua ascensão desse ponto mais baixo era considerado como o renascimento de Mitra, e os romanos comemoravam seu nascimento no dia 25 de dezembro de cada ano. Havia uma grande festividade nesse dia: festivais e festas, presentes dados aos amigos, e as casas eram decoradas com sempre-vivas.
Gradualmente, o cristianismo foi sobrepujando o mitraísmo, que tinha sido seu rival mais forte, e a festa em que se comemorava o nascimento de Mitra foi adotada pelos cristãos para comemorar o nascimento de Cristo. A adoração pagã do sol, profundamente arraigada na cultura romana, foi substituída por uma das maiores festas cristãs. O Natal chegou até nós como um dia de ação de graças e regozijo — um dia de alegria e boa vontade entre os homens. Embora esteja associado a coisas terrenas em seu significado, seu conteúdo é divino. Essa antiga comemoração cristã foi continuamente preservada ao longo dos séculos.

O SIGNIFICADO DO NATAL EM NOSSOS DIAS

O que se pensa do Natal em nossos dias? A lenda do Papai Noel, a árvore de Natal, as decorações brilhantes e o azevinho, bem como a troca de presentes, tudo isso expressa para nós o espírito desse dia comemorativo; mas o verdadeiro espírito do Natal é muito mais profundo. Ele se encontra na vida do Salvador, nos princípios que Ele ensinou, em Seu sacrifício expiatório — que é o nosso grande legado.
Há muitos anos, a Primeira Presidência da Igreja fez esta importante declaração:
“O Natal, para os santos dos últimos dias, é ao mesmo tempo retrospectivo e profético — um lembrete de dois grandes e solenes eventos, que ainda hão de ser considerados universalmente como os mais grandiosos e maravilhosos acontecimentos da história da raça humana. Esses eventos foram [pré-ordenados] para acontecerem neste planeta antes de ele ter sido criado. Um deles foi a vinda do Salvador no meridiano dos tempos, para morrer pelos pecados do mundo; e o outro é o futuro advento do Redentor ressuscitado e glorificado, para reinar na Terra como o Rei dos reis”. [“What Christmas Suggests to a Latter-day Saint”,Millennial Star, 2 de janeiro de 1908, p. 1]
Na breve epístola de Paulo aos gálatas, ele mostrou-se muito preocupado com a aparente descrença deles e o abandono de seus ensinamentos referentes a Cristo. Ele escreveu para eles: “É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco. Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. (Gálatas 4:18–19) Em outras palavras, Paulo expressou-se como se sofresse dores e ansiedade até que Cristo fosse “formado” neles. Essa é outra forma de se dizer “em Cristo”, conforme essa expressão é usada repetidamente por Paulo em seus escritos.
É possível Cristo nascer na vida de um homem, e quando isso realmente acontece, esse homem está “em Cristo” — Cristo está “formado” nele. Isso pressupõe que tomemos Cristo em nosso coração e façamos com que Ele seja um contemporâneo vivo de nossa vida. Ele não é apenas uma verdade geral ou fato histórico, mas o Salvador dos homens de todo o mundo e de todas as épocas. Quando nos esforçamos para ser semelhantes a Cristo, Ele é “formado” em nós; se abrirmos a porta, Ele entrará; se buscarmos Seu conselho, Ele nos aconselhará. Para que Cristo seja “formado” em nós, precisamos acreditar Nele e em Sua Expiação. Essa crença em Cristo e o cumprimento de Seus mandamentos não são coisas que nos restringem. Por elas, os homens se tornam livres. Esse Príncipe da Paz espera para dar-nos paz de consciência, que pode tornar cada um de nós um meio de transmissão dessa paz.
O verdadeiro Natal acontece para aquele que adota Cristo em sua vida como força motivadora, dinâmica e vivificante. O verdadeiro espírito do Natal encontra-se na vida e missão do Mestre. Prossigo com a definição que o escritor dá para o verdadeiro espírito do Natal:
“É um desejo de sacrificar-se pelos outros, de prestar serviço, de ter um sentimento de fraternidade universal. Consiste na disposição de esquecer o que outros lhe fizeram e lembrar-se apenas do que os outros fizeram por você; de ignorar o que o mundo lhe deve, e de pensar apenas (…) em seus deveres a médio prazo e em sua chance de fazer o bem e auxiliar seu próximo agora — ver que seu próximo é tão bom quanto você, e tentar enxergar o coração dele, e não apenas a aparência — fechar seu livro de mágoas contra o universo e olhar em volta para procurar um lugar para plantar algumas sementes de felicidade e seguir adiante sem se fazer notar.” [Improvement Era, dezembro de 1919, p. 155]
Em sua reflexão sobre a época do Natal, James Wallingford escreveu o seguinte:
O Natal não é um dia ou uma época, mas uma condição da mente e do coração.
Se amamos nosso próximo como a nós mesmos:
Se em nossa riqueza somos pobres de espírito, e em nossa pobreza somos ricos na graça;
Se nossa caridade não se ensoberbece, mas é paciente e bondosa;
Se quando nosso irmão nos pede pão, doamos a nós mesmos em vez disso;
Se cada dia começa com oportunidades e termina com realizações, por menores que sejam,
Então todo dia é o dia de Cristo, e o Natal está sempre próximo.
[Charles L. Wallis, comp., Words of Life, 1966, p. 33]
Um sábio disse:
“A coisa mais admirável na história do Natal é sua relevância. Ela se adapta a toda época e se encaixa em todo estilo de vida. Não é simplesmente uma história bonita que foi contada há muito tempo, mas algo eternamente atual. É a voz que clama no deserto. É tão significativa em nossos dias quanto naquela longínqua noite em que os pastores seguiram a luz da estrela até a manjedoura de Belém.” [Joseph R. Sizoo,Words of Life, p. 33]
Foi dito que o Natal é para as crianças; mas à medida que se passam os anos da infância e a sábia maturidade toma o seu lugar, o simples ensinamento do Senhor de que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35) se torna realidade. A evolução da festa pagã transformada em uma festa cristã para o nascimento de Cristo na vida dos homens é outra forma de maturidade que vem ao que foi tocado pelo evangelho de Jesus Cristo.

ENCONTRAR O VERDADEIRO ESPÍRITO DO NATAL

Se você quer encontrar o verdadeiro espírito do Natal e partilhar seus doces frutos, gostaria de dar-lhe uma sugestão. Em meio a toda agitação dessa época festiva do Natal, encontre um tempo para voltar seu coração a Deus. Talvez nos momentos tranquilos  em um lugar sossegado, ajoelhado — sozinho ou acompanhado de seus entes queridos — agradeça pelas coisas boas que recebeu e peça que Seu Espírito habite em você, ao esforçar-se sinceramente para Servi-Lo e guardar Seus mandamentos. Ele o conduzirá pela mão, e Suas promessas serão cumpridas.
Sei que Deus vive. Presto testemunho da divindade de Seu Filho, o Salvador do mundo, e expresso minha gratidão pela bênção de ter na Terra um profeta do Deus vivo.
Trecho de um discurso proferido em uma reunião devocional realizada na Universidade Brigham Young, em 5 de dezembro de 1972; pontuação, uso de maiúsculas e ortografia modernizadas.

Poesias,Contos...Queria viver deles...

"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."
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